Foto: AFP/Sergio LIMA
O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que a reforma da Previdência, se aprovada da forma como foi enviada para o Congresso Nacional, dá as mesmas condições de aposentadoria a um gari e a um deputado. Para ele, o modelo atual é uma “fábrica de privilégios e desigualdades”.
As declarações foram dadas durante o evento “E Agora, Brasil? 100 dias de governo”, organizado pelos jornais O Globo e Valor Econômico. “O Brasil ainda não envelheceu e já quebrou a Previdência. Com a nossa reforma, um gari ou um deputado vão terminar do mesmo jeito”, afirmou. “Essa historinha de que a Previdência ataca os pobres não é verdade”, completou.
Guedes enfatizou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) terá que economizar R$ 1 trilhão em 10 anos. Na tarde desta segunda-feira (8), circulou a informação em veículos de imprensa que o ministro teria aceito uma economia de R$ 8 bilhões. Ele negou.
Para ele, a reforma é necessária para evitar a expansão dos gastos. Guedes disse que, se o impacto fiscal for abaixo de R$ 1 trilhão, o próximo presidente terá que fazer novas mudanças nas leis de aposentadorias e pensões.
Concursos públicos e enxugamento
Guedes voltou a defender a suspensão de concursos públicos nos próximos anos. Ele ressaltou que o governo federal não realizou provas nos 100 primeiros dias de governo. “Concurso público: trava esse negócio. Quero saber o que precisa. Sem isso não tem concurso. Metade some (os 50% que se aposentarão) e a gente não repõe, ou repõe com cuidado, calibrando direitinho”, defendeu.
Sobre privatizações, disse que pretende arrecadar R$ 80 bilhões com a venda e concessões de ativos. “Vamos fazer dinheiro sair do chão”, afirmou Guedes, ao mencionar que é preciso reduzir o deficit fiscal ao máximo possível.
Outra medida é fazer com que os bancos públicos devolvam os recursos da União para ajudar a diminuir o rombo nas contas públicas. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) terá que devolver R$ 126 bilhões à União. Ele também citou a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, mas não revelou valores. Para Guedes, todos estas instituições financeiras fizeram “pedaladas” nos últimos anos.
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